Model release 2026: o que é, validade jurídica e modelo pronto
Model release 2026: o que é, validade jurídica e modelo pronto
O model release parece uma formalidade burocrática exatamente até o momento em que a pessoa da foto vê o próprio rosto na embalagem de um produto, em um banner ou em um anúncio de marketplace e procura a Justiça. Na prática, essas ações terminam em indenização por dano moral, remoção da publicidade e escândalo de reputação, e responde não só quem fotografou, mas também quem publicou.
O custo da questão é evidente: um novo termo de autorização custa zero e cinco minutos no local da sessão, enquanto uma disputa judicial por uso indevido de imagem custa uma indenização de valor elevado, mais honorários de advogado, reimpressão da tiragem da embalagem e a campanha publicitária bloqueada. A relação entre custo e risco faz do release o seguro mais vantajoso do negócio da fotografia.
Neste material vamos ver, de forma humana e sem névoa jurídica, o que é um model release, em que ele se apoia perante a lei, quando não se pode dispensá-lo, no que ele difere do release de propriedade, o que exigem os bancos de imagem e os marketplaces, como formalizar o consentimento online e com assinatura eletrônica, e damos um texto pronto de modelo que dá para copiar e adaptar à sua sessão. À parte, veremos a foto de produto para Mercado Livre, Amazon e Shopee, onde o release tem sua própria especificidade.
O que é um model release em palavras simples
O model release (do inglês, "liberação de modelo") é o consentimento por escrito de uma pessoa para o uso de sua imagem, pelo qual o fotógrafo ou o contratante obtém o direito de publicar, distribuir e usar as fotos com essa pessoa, inclusive para fins comerciais. No fundo é um contrato: uma parte autoriza o uso de seu rosto e de sua figura, a outra recebe direitos registrados em papel ou em meio eletrônico e afasta de si o risco de reclamações.
É importante separar logo dois conceitos. O consentimento para tratamento de dados pessoais e o consentimento para uso de imagem são coisas diferentes. A imagem de uma pessoa é um bem protegido à parte, com regra própria. O model release cobre justamente a questão da imagem: onde, por quanto tempo, em que formatos e para quais fins se pode mostrar a pessoa na foto. Sem esse documento, qualquer quadro com um rosto reconhecível se transforma em uma mina jurídica de efeito retardado, especialmente se ele vai para a publicidade, para um banco de imagem ou para venda.
De onde veio o termo
O próprio termo model release vem da indústria de bancos de imagem americana e europeia, onde, sem um termo assinado, o banco simplesmente não aceita um arquivo com pessoa em licença comercial. Em muitos países não há um termo-análogo direto na lei: juridicamente o documento se chama consentimento ou autorização de uso da imagem da pessoa e se apoia na proteção geral do direito de imagem. Na prática, os fotógrafos usam os dois nomes como sinônimos, e em sessões mistas para bancos internacionais preparam um termo bilíngue, para que o documento seja lido tanto pela Justiça local quanto pelo moderador estrangeiro.
Quem dá o quê a quem: as três partes do acordo
No esquema clássico participam três papéis, e é útil distingui-los desde o início:
- Modelo: a pessoa cuja imagem é usada. Não precisa ser um modelo profissional: pode ser um cliente em um depoimento, um funcionário no site corporativo, um transeunte, uma criança na publicidade de brinquedos.
- Titular dos direitos: quem recebe os direitos. Em geral é o fotógrafo ou o estúdio, mas o release pode ser feito já em nome do contratante, se os direitos passarem a ele por contrato.
- Usuário final: a marca, o vendedor de marketplace, a agência de publicidade, o banco de imagem. Se o direito de transferência a terceiros não estiver previsto no release, a cadeia se rompe e o usuário final fica sem base legal.
A principal conclusão prática desse esquema: pense no release não como um papel de arquivo, e sim como um elo da cadeia de direitos. Se um único elo não estiver fechado, toda a construção rui, e não importa o quão bonito ficou o quadro.
Que tipos de release existem
Sob a palavra release se escondem vários documentos diferentes, e não convém confundi-los:
- Release comercial pleno: direitos os mais amplos possíveis, incluindo publicidade, banco de imagem e transferência a terceiros. Usado em sessões cujo uso final ainda não se conhece.
- Release limitado: direitos apenas para um projeto, canal ou prazo específico. Serve para depoimentos e tarefas pontuais, o modelo fica mais tranquilo quando os limites são estreitos.
- Release de propriedade (property release): não é sobre a pessoa, e sim sobre um objeto no quadro.
- Consentimento para tratamento de dados pessoais: documento à parte, ligado à lei de proteção de dados, que muitas vezes vai no mesmo conjunto.
Para a maioria das sessões comerciais é mais cômodo formalizar de saída o release pleno: sai mais barato fechar todos os direitos de uma vez do que correr atrás do modelo depois por uma assinatura adicional para um novo canal.
Quando o model release é obrigatório e quando dá para dispensá-lo
O maior erro de fotógrafos e empreendedores iniciantes é achar que o release é sempre necessário ou, ao contrário, que nunca é necessário. A verdade está no meio: tudo depende de a pessoa ser reconhecível e de como exatamente a foto é usada. Vejamos os cenários.
Situações em que o release é obrigatório
- Publicidade de qualquer formato. Banners, mídia paga, out-of-home, embalagem, vídeos promocionais, envios. Assim que o rosto de uma pessoa vende um produto ou serviço, o consentimento é obrigatório.
- Bancos de imagem e microstocks. Se na foto há uma pessoa reconhecível, a plataforma não aceita o arquivo em licença comercial sem o release anexado.
- Anúncios de produto no marketplace. Modelo com roupa, pessoa demonstrando um aparelho, mãos em primeiro plano com tatuagem, tudo que permite identificar uma pessoa específica.
- Colagens e catálogos comerciais. Quando a imagem se torna parte do produto que você vende.
- Uso de imagem de funcionários e clientes. Depoimentos com foto, casos "antes e depois", a equipe no site.
- Influência e embaixadores. Se a pessoa é fotografada para promover uma marca nas redes sociais, o consentimento registra que você tem o direito de postar e por quanto tempo.
Situações em que o release em geral não é necessário
A prática e a legislação de direito de imagem costumam apontar três casos em que o consentimento da pessoa para o uso da imagem não é preciso:
- Interesse público, social ou informativo. Por exemplo, a foto de uma figura pública no exercício de suas funções públicas.
- A imagem foi obtida em locais abertos ao público ou em eventos públicos (reuniões, shows, competições esportivas), e a pessoa não é o objeto principal da foto. A condição chave é ela ser justamente o fundo, e não a protagonista do quadro.
- A pessoa posou mediante pagamento. Se o modelo foi fotografado de forma remunerada, um consentimento adicional de uso costuma não ser exigido, mas na prática o release é feito assim mesmo, para registrar os limites do uso.
O que significa reconhecibilidade na prática
A reconhecibilidade é o conceito chave em torno do qual gira metade das disputas. A lei não dá uma definição exata, por isso se orienta pelo bom senso e pela lógica dos tribunais. Uma pessoa é considerada reconhecível se, pelo conjunto de sinais, um espectador externo pode identificá-la, ou ela pode identificar a si mesma. Os sinais variam:
- Rosto em foco: caso óbvio, o release é preciso.
- Marcas características: tatuagem grande, cicatriz, mancha de nascença, penteado incomum, prótese. Mesmo sem o rosto, esse quadro é identificável.
- Contexto: pessoa em uniforme com crachá, diante de seu local de trabalho, em um ambiente reconhecível. Pelo ambiente se identifica com mais frequência do que parece.
- Silhueta e figura: raro, mas aparece em disputas, se o corpo é muito característico.
Regra do profissional: se há pelo menos um sinal seguro de reconhecibilidade, pegue o release. Provar em juízo que a pessoa é irreconhecível sai mais caro do que obter a assinatura de antemão.
A zona cinzenta em que mais se erra
O caso mais traiçoeiro é o uso editorial ou pessoal que com o tempo se transforma em comercial. Você fotografou uma pessoa na rua para o portfólio, publicou no portfólio, e depois um anunciante quis comprar esse quadro. A partir do momento em que a foto começa a gerar dinheiro ou a promover uma marca, seu status muda, e o antigo consentimento para portfólio já não basta. Por isso a regra profissional é simples: se há a menor chance de uso comercial, pegue o release logo, no local da sessão, enquanto o modelo está por perto e bem-disposto. Correr atrás da pessoa meio ano depois por uma assinatura é o pior dos cenários.
Checklist de cinco segundos antes de publicar
Antes de publicar um quadro com uma pessoa, passe-o por uma lista curta. Se a resposta a pelo menos uma pergunta for sim, o release é preciso:
- A pessoa é reconhecível pelo rosto ou pelas marcas?
- A foto vai vender um produto, serviço ou marca?
- O quadro vai para banco de imagem, catálogo, publicidade ou marketplace?
- A imagem será transferida a terceiros?
- A foto será modificada, montada ou incluída em uma colagem?
| Tipo de uso | Precisa de release |
|---|---|
| Publicidade, embalagem, promo | Sim, obrigatório |
| Anúncio de produto em marketplace | Sim |
| Banco de imagem comercial | Sim |
| Depoimento de cliente com foto no site | Sim |
| Portfólio pessoal sem venda | Recomendável |
| Reportagem jornalística de evento público | Em geral não |
| Pessoa como fundo em uma multidão | Não |
| Foto de produto pura, sem pessoas | Não |
Equívocos comuns que levam a processos
- "Paguei ao modelo, então posso tudo." O pagamento pode dispensar a exigência de consentimento adicional, mas não descreve os limites do uso. Sem o release, você não prova que combinaram publicidade ou transferência de direitos.
- "Fotografei em local público, o release não é preciso." A exceção só funciona se a pessoa é fundo, e não protagonista do quadro, e o uso não é comercial.
- "Desfoquei o rosto, então é seguro." Se a pessoa é reconhecível pelas marcas, pela roupa ou pelo ambiente, desfocar o rosto nem sempre salva.
- "É para o meu próprio site, não é publicidade." O site de uma empresa que promove serviços é facilmente reconhecido como uso comercial.
- "O modelo concordou de viva voz, diante de testemunhas." O consentimento verbal é quase impossível de comprovar em juízo, é preciso um registro escrito ou eletrônico.
Em que se apoia o direito de imagem
Para entender por que o release não é um capricho, e sim uma proteção, é preciso saber em que ele se sustenta. O direito de uma pessoa sobre a própria imagem é protegido à parte e de forma bastante firme.
O que diz o direito de imagem
O princípio é este: a divulgação e o uso posterior da imagem de uma pessoa (fotografia, gravação de vídeo, obra de arte em que ela é retratada) só se admitem com o consentimento dessa pessoa. Após a morte da pessoa, esse consentimento pode ser dado por seus familiares mais próximos, conforme a ordem prevista em lei.
Dessa regra decorrem conclusões práticas importantes:
- O consentimento é preciso tanto para a própria divulgação (a primeira publicação) quanto para o uso posterior. São duas ações separadas.
- A lei nem sempre exige que o consentimento seja obrigatoriamente por escrito, mas é justamente a forma escrita que dá prova em juízo. O consentimento verbal é praticamente impossível de comprovar.
- Se a imagem é distribuída na internet sem consentimento, a pessoa tem o direito de exigir a remoção e a cessação da distribuição.
- O consentimento pode ser revogado. Por isso, no release, é importante registrar que os materiais já produzidos com base no consentimento (a tiragem impressa, a embalagem lançada) não estão sujeitos à revogação.
Normas relacionadas que trabalham juntas
- Proteção da vida privada. Relevante se na foto aparecem detalhes da vida pessoal da pessoa.
- Reparação por dano moral. É por essa via que o tribunal fixa a indenização à vítima.
- Proteção de dados pessoais. Se, junto com a imagem, você trata nome, contatos e outros dados do modelo, será preciso também o consentimento para tratamento de dados pessoais. É um documento à parte, embora na prática costume ser incluído no mesmo termo, em um bloco separado.
- Regulação da publicidade. Regula como a imagem de uma pessoa pode ser usada em materiais publicitários.
- Direito autoral sobre a foto. Não confunda: o direito autoral sobre a própria foto pertence ao fotógrafo, e o direito de imagem pertence à pessoa no quadro. São dois direitos diferentes sobre o mesmo arquivo, e para o uso legal são precisos os dois.
Dois direitos sobre um quadro: por que não entendem isso
Um equívoco comum: "sou fotógrafo, o quadro é meu, faço o que quero". Na verdade, em um só arquivo coexistem dois direitos independentes. O direito autoral sobre a foto como obra pertence ao fotógrafo, ele decide quem pode copiar e publicar o arquivo. Mas o direito de imagem pertence à pessoa no quadro, ela decide se seu rosto pode sequer ser mostrado. Para usar comercialmente uma foto com uma pessoa, são precisas as duas autorizações: a autoral (o fotógrafo a tem por padrão) e o consentimento do modelo (que o release dá). Sem o release, o autor é dono do arquivo, mas não tem o direito de divulgá-lo com uma pessoa reconhecível.
Como terminam os processos
A prática judicial de direito de imagem costuma ser estável: se a imagem foi usada sem consentimento, o tribunal tende a ficar do lado da pessoa. O conjunto típico de pedidos do autor é remover a imagem de todos os canais, proibir o uso posterior e cobrar indenização por dano moral. Os valores variam conforme a escala da distribuição, o alcance da publicidade e o quanto o contexto foi humilhante ou distorcido. À parte, cabe notar: a responsabilidade recai não só sobre o fotógrafo, mas também sobre o anunciante e a plataforma que veiculou o material. Por isso um contratante atento sempre exige o release do prestador, em vez de acreditar na palavra.
O que influencia o valor da indenização
O tribunal não fixa a indenização por uma tabela fixa, e sim avalia as circunstâncias. Puxam o valor para cima:
- Grande alcance: uma mídia externa de amplo alcance pesa mais que um post de uma conta pequena.
- Contexto delicado ou humilhante: publicidade de temas médicos, íntimos, políticos.
- Distorção por montagem, que faz a pessoa parecer participante de algo com que não tem relação.
- Duração da infração e ignorar a notificação pré-judicial.
- Vantagem comercial do infrator pelo uso da imagem.
Puxam o valor para baixo: a remoção rápida após a notificação, a publicação única sem amplo alcance, a ausência de dolo.
Um detalhe importante sobre menores de idade
Se na foto há uma criança, o consentimento é dado e assinado por seus representantes legais, pais ou responsáveis. Para adolescentes, na prática, costumam-se pegar duas assinaturas: a do próprio adolescente e a de um dos pais. Isso reduz o risco de contestação no futuro, quando a pessoa atingir a maioridade. No termo, indique obrigatoriamente os dados do documento que comprova o parentesco ou a tutela, senão a assinatura do representante pode ser contestada.
Cada plataforma tem suas regras, e não existe um termo universal que seja aceito em todo lugar. Mas há princípios gerais que cobrem a maioria das exigências.
Exigências dos bancos de imagem
Os bancos de imagem comerciais são os mais exigentes com os releases, porque a licença da imagem é depois comprada por milhares de clientes no mundo todo, e a plataforma não quer responder por um processo. Exigências padrão:
- O release é preciso para qualquer pessoa reconhecível, mesmo que se veja só parte do rosto, uma tatuagem característica ou a silhueta.
- O documento deve conter os dados do modelo, do fotógrafo e da testemunha (witness), muitos bancos internacionais exigem a assinatura de uma testemunha.
- O consentimento é dado para uso comercial sem limite de prazo e de território, incluindo publicidade de temas delicados.
- Para menores de idade, assinatura do representante legal com indicação do parentesco.
- O release é anexado a cada arquivo no upload, em digitalização ou foto à parte.
Muitos bancos aceitam formulários de release de modelo internacional, e é mais cômodo formalizar o consentimento logo em dois idiomas, para que o documento seja compreensível aos moderadores.
Release para marketplaces
Mercado Livre, Amazon e Shopee não exigem diretamente do vendedor que suba um model release, mas isso não significa que ele não seja necessário. A responsabilidade pela legalidade do conteúdo do anúncio é do vendedor. Se você usa a foto de um modelo com roupa ou de uma pessoa demonstrando o produto, e não tem o consentimento, você se arrisca em dois planos: a ação da própria modelo por uso indevido de imagem e a denúncia de um concorrente ou titular de direitos, após a qual a plataforma pode bloquear o anúncio. Por isso o release da modelo na foto de catálogo para marketplace é uma higiene interna obrigatória, mesmo que a plataforma não pergunte por ele.
À parte, sobre a foto de produto: se no quadro há apenas o produto sem pessoas, o model release não é preciso. Mas se você fotografa um produto de terceiros ou um produto com marca de terceiros, verifique o direito de usar a própria imagem do produto e o logotipo.
Situações típicas do vendedor de marketplace
| O que há no quadro | O que é preciso |
|---|---|
| Só o produto, sem pessoas | Release não é preciso, verifique os direitos da marca |
| Modelo com a sua roupa | Model release obrigatório |
| Mãos ou pernas da modelo em primeiro plano | Release, se há marcas (tatuagens, unhas) |
| Produto similar de terceiro para comparação | Direito de imagem e marca registrada |
| Captura de depoimento com rosto do cliente | Consentimento do cliente |
| Infográfico com foto de blogueiro | Release do blogueiro para uso comercial |
Release para publicidade
O uso publicitário é a zona de risco máximo e de release mais amplo. Aqui importa:
- Prever expressamente que a imagem pode ser usada na publicidade de produtos e serviços.
- Indicar os canais: internet, mídia externa, impressão, TV, embalagem.
- Registrar o direito de modificação e uso como parte de outras obras.
- Prever a transferência de direitos ao anunciante e a seus prestadores.
- De preferência, listar que o consentimento abrange o uso em quaisquer contextos delicados, ou excluí-los expressamente, se o modelo se opõe.
Assinatura eletrônica e formulários online
Em 2026, o release em papel com assinatura de próprio punho já não é a única opção. O consentimento para uso de imagem pode ser formalizado eletronicamente, e terá validade jurídica se observadas as condições.
- Assinatura eletrônica qualificada. A opção mais confiável, equiparada à de próprio punho sem condições adicionais.
- Assinatura eletrônica simples. Serve se as partes combinaram de antemão, em um acordo, que reconhecem tal assinatura. Na prática, é a confirmação por código de SMS, login em conta pessoal, marcação em formulário online.
- Formulário online com caixa de consentimento. Funciona para sessões em massa, eventos, depoimentos. É importante guardar o registro (log): hora, IP, versão do texto que o signatário viu.
Para que o consentimento eletrônico resista a uma disputa, registre o máximo de metadados: quem, quando, de que dispositivo confirmou, qual exatamente o texto do consentimento estava na tela, e guarde uma cópia inalterável. Uma captura de tela não basta, é preciso um registro de sistema.
Como formalizar o release online, passo a passo
- Prepare o texto do consentimento e registre sua versão com data.
- Colete os dados do modelo pelo formulário: nome completo, contato, identificador da sessão.
- Mostre o texto completo do consentimento na tela, e não um link em letra miúda.
- Obtenha a confirmação: caixa marcada mais código de SMS ou login em conta pessoal.
- Guarde o registro da confirmação: data, hora, IP, dispositivo, versão do texto.
- Envie ao modelo uma cópia do consentimento assinado por e-mail, para registro bilateral.
- Guarde o registro de forma inalterável, duplique na nuvem e localmente.
Como fazer uma boa digitalização de um release em papel
Bancos e contratantes muitas vezes recusam digitalizações ilegíveis. Algumas regras para um arquivo limpo:
- Fotografe sob luz do dia uniforme sem brilhos, o documento inteiro no quadro.
- Resolução de 200 dpi para cima, para que texto e assinatura se leiam.
- Alinhe pelas bordas, corte o fundo em excesso.
- Salve em PDF ou JPG, nomeie o arquivo pelo padrão release_sobrenome_data.
- Vincule o nome do arquivo do release aos nomes dos arquivos dos quadros da mesma sessão.
Como assinar o release em diferentes dispositivos
Se o modelo está longe ou você formaliza um depoimento à distância, o papel não é preciso. Dá para assinar e certificar o documento direto do computador ou do telefone.
No computador com assinatura reforçada:
- Salve o termo em PDF, abra em um leitor com ferramenta de preenchimento de formulários.
- Digite os dados do modelo nos campos de texto, acrescente um campo de assinatura.
- Para a assinatura reforçada, conecte a assinatura eletrônica qualificada por um software específico e assine o arquivo.
- Salve o PDF assinado e o arquivo separado de assinatura, arquive juntos.
No computador com assinatura simples:
- Abra o PDF no leitor padrão, no modo de marcação.
- Preencha os campos, insira a assinatura pelo trackpad ou uma rubrica fotografada.
- Exporte o PDF pronto e envie ao modelo para confirmação recíproca por e-mail.
No telefone:
- Receba o termo por e-mail ou mensageiro, abra o anexo PDF.
- Toque na ferramenta de marcação, acrescente a assinatura com o dedo ou a caneta.
- Preencha os campos de texto, salve e envie de volta, o histórico da conversa registra o fato do consentimento.
No tablet:
- Abra o PDF em um aplicativo de documentos com função de assinatura.
- Acrescente um campo de assinatura, rubrique na tela sensível.
- Preencha os dados, salve o arquivo e duplique na nuvem, para que a cópia não se perca.
Em qualquer das opções, guarde a conversa de acompanhamento: data de envio, resposta do modelo, texto do consentimento. Essa cadeia prova que a pessoa viu e confirmou justamente aquela versão do documento.
Modelo pronto de texto do model release
Abaixo, um modelo básico que dá para copiar e adaptar à sua sessão. Não substitui a consulta a um advogado para grandes orçamentos publicitários, mas é uma base de trabalho para a maioria dos casos. Os campos entre parênteses são preenchidos conforme a situação concreta.
CONSENTIMENTO PARA USO DE IMAGEM (MODEL RELEASE)
Eu, (nome completo), data de nascimento (data), documento de identidade (número), emitido por (órgão e data), residente em (endereço), doravante Modelo, dou meu consentimento à pessoa física ou jurídica (nome ou denominação, dados de identificação), doravante Titular dos Direitos, para o uso da minha imagem, obtida durante a sessão de fotografia (ou vídeo) realizada em (data), no endereço (local da sessão).
Por meio deste, autorizo o Titular dos Direitos à divulgação e ao uso posterior da minha imagem, incluindo reprodução, distribuição, exibição pública, disponibilização ao público na internet, modificação (retoque, recorte, montagem, inclusão em obras compostas), bem como o uso para fins comerciais e publicitários.
O consentimento abrange o uso da imagem no território de (país / todo o mundo) pelo prazo de (prazo / por tempo indeterminado). Autorizo a transferência dos direitos previstos neste consentimento a terceiros.
O consentimento é dado (de forma remunerada, no valor de ___ / de forma gratuita). Confirmo que estou ciente do caráter da sessão, ajo de forma voluntária e consciente, não me oponho ao uso das imagens obtidas para os fins indicados e não exijo a aprovação prévia dos materiais finais. A revogação deste consentimento não se estende aos materiais produzidos e divulgados antes do momento da revogação. Não tenho reclamações contra o Titular dos Direitos.
Data ____________ Assinatura do Modelo ____________ (nome completo). Assinatura da testemunha ____________ (nome completo, se necessário para bancos de imagem).
Para modelo menor de idade, o documento é assinado pelo representante legal, com indicação do parentesco e dos dados de seu documento de identidade.
Como adaptar o modelo à sua tarefa
Não assine o mesmo termo para todos os casos sem pensar. Para tarefas diferentes, mude os campos-chave:
- Para banco de imagem: prazo e território por tempo indeterminado e todo o mundo, obrigatório o bloco da testemunha, se possível a tradução para o inglês.
- Para publicidade: liste em detalhe os canais e indique expressamente os fins publicitários e a transferência a prestadores.
- Para marketplace: basta o uso comercial no país mais o direito de modificação para infográficos.
- Para depoimento de cliente: indique o canal concreto (site, redes sociais) e o prazo, o cliente fica mais tranquilo quando os limites são estreitos.
Perguntas frequentes
O model release é preciso se a pessoa foi fotografada mediante pagamento?
Um consentimento à parte costuma não ser exigido se a pessoa posou mediante pagamento. Mas, na prática, o release é feito assim mesmo, porque ele registra os limites do uso: fins, território, prazo, direito de modificação. O fato do pagamento, por si só, não descreve o que exatamente é permitido fazer com as fotos.
Dá para assinar o model release eletronicamente?
Sim. A assinatura eletrônica qualificada é equiparada à de próprio punho. A assinatura eletrônica simples e o consentimento por formulário online também funcionam, se os metadados forem registrados: quem, quando, de que dispositivo e qual texto confirmou. Para maior segurança, guarde um registro de sistema inalterável, e não apenas uma captura de tela.
O release é preciso para o anúncio de produto no Mercado Livre ou na Amazon?
As plataformas não exigem subir o release, mas a responsabilidade pela legalidade do conteúdo é do vendedor. Se no anúncio há uma pessoa reconhecível, o consentimento é preciso, senão são possíveis a ação por uso indevido de imagem e o bloqueio do anúncio por denúncia. Para a foto de produto pura, sem pessoas, o model release não é necessário.
Qual a diferença entre model release e consentimento para tratamento de dados pessoais?
São documentos diferentes. O model release regula o uso da imagem. O consentimento para tratamento de dados pessoais diz respeito a nome, contatos e outros dados. Se você guarda e trata os dados do modelo junto com a foto, são precisos os dois, e muitas vezes eles são reunidos em um só termo, em blocos separados.
O que é um property release e quando ele é preciso?
Property release é o consentimento para uso da imagem de um bem ou objeto: um interior privado, um edifício, uma marca, um objeto de arte, um produto reconhecível. Quem o assina é o proprietário ou titular dos direitos, e não o modelo. É preciso quando no quadro há território privado, design protegido ou logotipo, especialmente para uso comercial e em banco de imagem.
Por quanto tempo guardar o model release assinado?
No mínimo enquanto você usa a imagem, mais o prazo de prescrição após o fim do uso. Na prática, os releases são guardados por tempo indeterminado junto com o arquivo da sessão. Duplique as cópias eletrônicas em vários lugares: perder o release equivale a não tê-lo, se a coisa chegar a uma disputa.
O release é preciso para uma pessoa fotografada de costas ou fora de foco?
Se a pessoa é irreconhecível (o rosto não aparece, não há marcas características, tatuagens, traços particulares), formalmente o consentimento não é exigido. Mas a fronteira da reconhecibilidade é subjetiva, e o tribunal pode decidir de outra forma, especialmente se a própria pessoa se identifica pela roupa ou pelo ambiente. Nos casos duvidosos, é mais seguro pegar o release ou tornar o quadro anônimo.
Dá para revogar um model release já assinado?
O consentimento para uso de imagem, em regra, pode ser revogado. Mas, se no release estiver previsto que a revogação não se estende aos materiais já produzidos e divulgados, a tiragem lançada e a publicidade veiculada não precisarão ser retiradas. Por isso a cláusula sobre a irreversibilidade dos materiais produzidos é tão importante para o anunciante.
O release é preciso para os próprios funcionários, no site da empresa?
Sim. O funcionário é um cidadão com seu próprio direito de imagem, e o contrato de trabalho, por si só, não dá o consentimento para foto. Para a seção "equipe", sessões corporativas e publicidade externa, pegue um consentimento à parte, senão, após o desligamento, a pessoa tem o direito de exigir a remoção de sua foto e a reparação.